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sexta-feira, 27 de março de 2015

"Às agressões humanas, a Terra responde com flores" - L. Boff

Mais que no âmago de uma crise de proporções planetárias, nos confrontamos hoje com um processo de irreversibilidade. A Terra nunca mais será a mesma. Ela foi transformada em sua base fisico-quimica-ecológica de forma tão profunda que acabou perdendo seu equilíbrio interno. Entrou num processo de caos, vale dizer, perdeu sua sustentabilidade e afetou a continuação do que, por milênios, vinha fazendo: produzindo e reproduzindo vida.
Todo caos possui dois lados: um destrutivo e outro criativo. O destrutivo representa a desmontagem de um tipo de equilíbro que implica a erosão de parte da biodiversidade e, no limite, a diminuição da espécie humana. Esta resulta ou por incapacidade de se adaptar à nova situação ou por não conseguir mitigar os efeitos letais. Concluído esse processo de purificação, o caos começa mostrar sua face generativa. Cria novas ordens, equilibra os climas e permite os seres humanos sobreviventes construírem outro tipo de civilização.
Da história da Terra aprendemos que ela passou por cerca de quinze grandes dizimações, como a do cambriano há 480 milhões de anos, que dizimou 80-90% das espécies. Mas por ser mãe generosa, lentamente, refez a diversidade da vida.
Hoje, a comunidade científica, em sua grande maioria, nos alerta face a um eventual colapso do sistema-vida, ameaçando o próprio futuro da espécie humana. Todos podem perceber as mudanças que estão ocorrendo diante de nossos olhos. Grandes efeitos extremos: por um lado estiagens prolongadas associadas à grande escassez de água, afetando os ecossistemas e a sociedade como um todo, como está ocorrendo no sudesde de nosso país. Em outros lugares do planeta, como nos USA, invernos rigorosos como não se viam há decênios ou até centenas de anos.
O fato é que tocamos nos limites físicos do planeta Terra. Ao forçá-los como o faz a nossa voracidade produtivista e consumista, a Terra responde com tufões, tsunamis, enchentes devastadoras, terremotos e uma incontida subida do aquecimento global. Se chegarmos a um aumento de dois graus Celsius de calor, a situação é ainda administrável.
Caso não não fizermos a lição de casa ao diminuirmos drasticamente a emissão de gases de efeito estufa e não reorientarmos nossa relação para com a natureza na direção da auto-contenção coletiva e de respeito aos limites de suportabilidade de cada ecossistema então preve-se que o clima pode se elevar a quatro e até seis graus Celsius. Aí conheceremos a “tribulação da desolação” para usarmos uma expressão bíblica e grande parte das formas de vida que conhecemos não irão subsistir, inclusive porções da humanidade.
A renomada revista Science de 15 de janeiro de 2015 publicou um trabalho de 18 cientistas sobre os limites planetários (Planetary Bounderies: Guiding human development on a changing Planet). Identificaram nove dimensões fundamentais para a continuidade da vida e de nosso ensaio civilizatório.
Vale a pena citá-las: (1) mudanças climáticas; (2) mudança na integridade da biosfera com a erosão da biodiversidadae e a extinção acelerada de espécies;(3) diminuição da camada de ozônio estratosférico que nos protege de raios solares letais;(4) crescente acidificação dos oceanos;(5) desarranjos nos fluxos biogeoquímicos (ciclos de fósforo e de nitrogênio, fundamentais para a vida);(6) mudanças no uso dos solos como o desmatamento e a desertificação crescente;(7) escassez ameaçadora de água doce;(8)concentração de aerossóis na atmosfera(partículas microscópicas que afetam o clima e os seres vivos); (9) introdução agentes químicos sintéticos, de materiais radioativos e nanomateriais que ameaçam a vida.
Destas nove dimensões, as quatro primeiras já ultrapasssaram seus limites e as demais se encontram em elevado grau de degeneração. Esta sistemática guerra contra Gaia pode levá-la a um colapso como ocorre com as pessoas.
E apesar deste cenário dramático, olho em minha volta e vejo, extasiado, a floresta cheia de quaresmeiras roxas, fedegosos amarelos e no canto de minha casa as “belle donne” floridas, tucanos que pousam em árvores em frente de minha janela e as araras que fazem ninhos debaixo do telhado.
Então me dou conta de que a Terra é de fato mãe generosa: às nossas agressões ainda nos sorri com flora e fauna. E nos infunde a esperança de que não o apocalipse mas um novo gênesis está a caminho. A Terra vai ainda sobreviver. Como asseguram as Escrituras judaico-cristãs: “Deus é o soberano amante da vida”(Sab 11,26). E não permitirá que a vida que penosamente superou caos, venha a desaparecer. (Leonardo Boff)

Leonardo Boff é teólogo e professor emérito de ética da UERJ.

terça-feira, 24 de março de 2015

Pacto para proteger as nascentes foi assinado por Curitiba e por outros municípios

O projeto visa conservar e proteger as nascentes, principalmente urbanas.

Curitiba e outros dez municípios assinam pacto para proteger nascentes




A prefeitura de Curitiba e de mais dez municípios vizinhos assinaram o Pacto pelas Nascentes de Água da Região Metropolitana de Curitiba. O compromisso foi firmado durante o Fórum de Secretários de Meio Ambiente da Região Metropolitana, realizado no Parque Guairacá, no bairro Fazendinha. 

A nova proposta tem a intenção de reforçar a necessidade de proteção das nascentes, principalmente as localizadas em área urbana. Através do pacto, o município participante se compromete em diagnosticar, classificar, preservar, conservar e valorizar as nascentes, principalmente as localizadas em área urbana, e ainda ensinar e educar a sociedade sobre a importância da conservação da natureza.

O secretário municipal de Meio Ambiente, Renato Lima, salientou durante o evento a necessidade de se fazer uma ação conjunta entre Curitiba e os municípios da região metropolitana. “Nós entendemos que sozinhos não conseguiremos, temos que trabalhar com o somatório de forças e parcerias para que cada vez mais a gente consiga preservar as nossas nascentes e, consequentemente, a vida”, afirmou.

Os Municípios participantes e que assinaram o pacto são: Araucária, Campo Magro, Cerro Azul, Colombo, Contenda, Curitiba, Doutor Ulysses, Fazenda Rio Grande, Tijucas do Sul e Itaperuçu.

O secretário municipal de Meio Ambiente de Campo Magro, Alvir Jacob, conta que há quatro anos o município, que tem 100% do seu território como área de proteção, vem identificando e georreferenciando suas nascentes – 380 já foram identificadas. O próximo passo será uma homenagem aos proprietários de terra onde se localizam as nascentes, por mantê-las preservadas em prol de toda a comunidade.

O pacto é uma medida excelente, porque aquela realidade de falta d’água chegou, é hoje. O pacto faz os municípios se lembrarem de sua responsabilidade e se comprometerem, conforme sua capacidade, na preservação dos recursos hídricos”, disse Jacob.
(Prefeitura de Curitiba)

Fonte: Ciclo Vivo

Lançamento do “Manual de Sobrevivência para a Crise”- Aliança pela Água

Publicação ensina população a encarar cortes no abastecimento de água, além de dicas práticas de reuso e economia
Para marcar o Dia Mundial da Água, celebrado em meio à pior crise hídrica da história do Estado de São Paulo, a Aliança pela Água disponibiliza, a partir de hoje em seu site www.aguasp.com.br, o “Água: Manual de Sobrevivência para a Crise”. A Aliança pela Água é uma rede de quase 50 entidades, entre ONGs, coletivos e movimentos sociais que desde outubro monitora a resposta do governo e propõe soluções à crise hídrica.
O livreto ilustrado foi produzido de forma colaborativa pelos vários grupos e especialistas que compõem a Aliança e, traz, em linguagem simples, dicas práticas de economia de água no dia-a-dia, como reutilizar água com segurança e como sobreviver se a torneira secar de fato. 
Nosso público-alvo são as populações mais carentes, que geralmente não têm caixa-d’água e têm sido as mais afetadas pelos cortes no fornecimento resultantes da redução na pressão da rede de distribuição da Sabesp”, explica a jornalista Claudia Visoni, que coordenou a redação do Manual. “Mas as dicas servem para todo mundo. Procuramos compilar soluções caseiras, baratas e fáceis de fazer”.
A publicação tem 7 capítulos, que respondem a perguntas como por que está faltando água e como preparar-se para a emergência, além de detalhar práticas de economia máxima, estratégias para o momento de colapso, orientações de saúde e informações sobre fontes alternativas de água. 
O manual funciona de forma coordenada à outros materiais e aplicativos que já existem, como o Cadê a Água?, desenvolvido pelo Instituto Socioambiental (ISA) em apoio à Aliança, que permite que as pessoas denunciem a falta d'água em suas casas, ajudando a mapear e comunicar a dimensão da crise.
Nos próximos meses, o “Água: Manual de Sobrevivência para a Crise” será lançado em versão impressa e em forma de app para celulares e tablets.