sexta-feira, 3 de julho de 2009

A casa Cor SP e a sustentabilidade...

As melhores ideias da Casa Cor SP

A mostra levantou uma questão atual: o que é viver de modo sustentável?


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TENDA DOS PRAZERES
Cerca de 160 m² de uma área descampada do Jockey Club se transformaram num espaço delicioso pelas mãos do arquiteto João Armentano, que ergueu uma tenda de perfis metálicos (Lock Construtora) sustentando o teto de juta. As paredes são compostas de faixas de voal de linho (no caso de chuva, toldos verticais são acionados). Os tecidos filtram a luz natural e reforçam o clima mágico do ambiente. Sobre um piso de cimento queimado - que, no lugar do pó xadrez, usou terra do próprio terreno -, distribuem-se os móveis, um mix de peças clássicas e modernas.
Dica de sustentabilidade: a Eco Juta, da Locomotiva (empresa do grupo Alpargatas), utilizada na cobertura, é um produto 100% correto. O plantio, feito por populações ribeirinhas da região amazônica, não emprega fertilizantes e defensivos. Além disso, a decomposição desse tecido é de apenas dois anos já o poliéster pode demorar até 100 anos.

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UM BOSQUE PARTICULAR
Não importa quantos graus o termômetro indica: quem passeia pelo jardim assinado por Luiz Carlos Orsini é agraciado com uma temperatura agradável e atmosfera aconchegante. "Escolhi plantas que reproduzissem o microclima das matas da Indonésia. São todas espécies nativas desse país, mas adaptadas a nosso clima há mais de 50 anos", diz ele. Outra investida para gerar frescor ao local foi a construção do espelho-d’água. "A evaporação da água confere umidade ao ar, proporcionando conforto térmico inclusive a ambientes fechados, o que dispensa o uso de aparelhos de ar condicionado", conclui.

Dica de sustentabilidade: o que Orsini fez aqui é um bom exemplo de como recuperar áreas verdes. Preservando as sibipirunas originais, ele recompôs o sub-bosque, isto é, a vegetação abaixo das árvores. "Com isso, o solo torna-se fértil novamente e a mata como um todo se regenera."

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DENTRO OU FORA, TANTO FAZ
O paisagista Gil Fialho e a arquiteta Fernanda Marques formaram uma dupla afinada para compor seus espaços. Os ambientes de ambos interagem - quase não se percebe a fronteira entre eles. A caixa de tauari que abriga o quarto paira sobre o espelho-d’água, que avança até o deque de madeira de demolição e se insinua pelas ilhotas verdes do jardim. Da cama, a visão é de um quadro vivo, em que água e folhagens se movimentam ao sabor da brisa. Nos dias quentes, grandes painéis de vidro correm para dentro das paredes e deixam entrar o ar refrescante da área externa. Quando faz frio, as partes envidraçadas se fecham sem comprometer a vista e a luz natural.
Dica de sustentabilidade: construções suspensas e pisos permeáveis são aliados no combate às enchentes nas cidades, pois permitem que a água penetre o solo, em vez de empoçar. Consequentemente, o risco de erosão também diminui, e a terra se beneficia, nutrida pela chuva.

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TRAÇO DE ARQUITETO
Cruzetas antigas vestem as paredes deste estúdio. Mas Arthur Casas não se contentou com as peças comumente vendidas no mercado. Garimpou bastante até reunir exemplares de coloração parecida, como amendoim, angelim, perobinha e angico. Em seguida, todas foram descoloridas e protegidas com Neutrol. A harmonia de tonalidades ganhou reforço com a colocação das cruzetas, que mescla painéis horizontais e verticais. Como depois da mostra tudo será reaproveitado, as peças foram grampeadas com minúsculos pinos em compensados pregados na parede. "Na retirada, é só remover os pininhos", diz Carlos Rodrigues, da Pica-Pau Marcenaria, responsável pelo trabalho.

Outros detalhes:


Marcos Antonio{txtalt}
Luxo sustentável
Materiais reciclados orientaram a decoração do Café Nextel, projeto de Fábio Galeazzo. “Quis mostrar que o sustentável também pode ser chique e luxuoso”, fala. Instalado até no teto, o revestimento de madeira de demolição (Natufloor) recebeu polimento mecânico. “Em vez de fazer o clareamento químico, usamos escovas abrasivas de lã e feltro.” Descartes de couro de tilápia sem tingimento vestem o sofa com estrutura de madeira certificada. Sobre o piso, tapete de lã (Bellouchi) tecido artesanalmente por uma comunidade da Bahia.
Luis Gomes{txtalt}
Tapete de PET
Associada ao Green Building Council Brasil, entidade dedicada a encontrar melhores práticas de construção, a arquiteta Helena Viscomi vai além da decoração em seu Loft Sustentável. “As opções racionais começam no projeto, que tem até captação de chuva”, enfatiza. No quarto, destaque para o tapete de fios de garrafas PET recicladas (Casa Fortaleza Vitrine).
Luis Gomes{txtalt}
Pátio permeável
O piso do pátio do paisagista Roberto Riscala propõe uma alternativa para o problema de inundações nas grandes cidades. “Criei um ambiente permeável: travadas nas bordas do terreno de 60 m², as placas de 50 x 50 cm dispensaram rejuntes”, explica. Assentadas apenas sobre uma camada de areia, as peças (linha Sand, da Solarium) drenam a chuva, absorvida sem obstáculos pela terra.


Revista Casa Cláudia - 06/2009
Fonte: Planeta sustentável